O Escravismo colonial: A revolução Copérnica de Jacob Gorender

Dionatan da Silva[1]

 

Neste breve artigo, buscaremos abordar algumas questões referentes à contribuição do artigo do Professor Mario Maestri “O escravismo colonial: a revolução Copernica de Jacob Gorender” para debater sobre os modelos econômicos do Brasil colonial até o imperial, tendo como plano de fundo as discussões teóricas e suposta existência de um regime feudal brasileiro.

Palavras- chaves: escravismo colonial; discussões teoricas; escravidão

Em O escravismo colonial, Gorender superava a tradicional apresentação cronológica de cunho historicista do passado Brasileiro definindo de forma categorial-sistemática sua estrutura escravista colonial. Ou seja, empreendendo um estudo “estrutural” daquela realidade, para penetrar “as aparências fenomenais e revelar” sua “estrutura essencial”. Isto é, seus elementos e conexões internos e o movimento de suas contradições.

Ao aplicar o método marxista ao passado brasileiro, Gorender demarcava igualmente a necessidade de investigação exaustiva que realizasse uma explicação de seu caráter singular e, portanto, dos ritmos e objetivos de seu desenvolvimento, a partir das suas contradições objetivas internas. Propondo, uma superação epistemológica radical da interpretação da formação social brasileira.

Na ausência de uma teoria capaz de encontrar as características que constituem a especificidade da nossa história, e que dão conta do conjunto, a análise chegou a uma série de impasses teóricos. Uma destas análises foi caracterizada pela teoria dualista, ainda encontrado em obras de autores totalmente conservadores.

É na ânsia deste debate que a obra de Jacob Gorender, realizando, conforme destaca Mário Maestri[1] (2004a e 2004b), uma verdadeira revolução copernicana no estudo sobre o Brasil escravocata. Para Maestri, Gorender empreendeu uma estrutural crítica categorial-sistêmica da produção escravista vigente na América Colonial, tratando-a como um modo de produção novo, específico deste espaço geográfico e temporal, calçado na produção mercantil, diferenciado, do escravismo clássico, do feudalismo e do capitalismo, também que, ao criar – conceituar e analiticamente um novo modo de produção, o escravista colonial, Gorender não infringiu heresia ao materialismo histórico, mas, ao contrário, o reforçou enquanto metodologia aplicável para a análise de sistema econômicos que destoem dos que se desenharam na Europa analisada por Carl Marx.

O modo de produção escravista colonial foi baseado em duas instituições que o determinavam enquanto modo de produção propriamente dito (os modos de produção são formados pelo conjunto das forças produtivas e pelo conjunto das relações de produção, na sua interação, num certo estágio de desenvolvimento. Simultaneamente designam as condições técnicas e sociais que constituem a estrutura de um processo historicamente determinado): “a plantagem e a escravidão”.

Em 1990, em uma conjuntura política, cultural e ideológica radicalmente adversa, escreveram o livro A escravidão reabilitada, resposta exaustiva à criticaria organizada em  torno de O escravismo colonial. Em forma geral, essa produção demarcou as diversas fases da poderosa operação revisionista estabelecida em torno da tese de Gorender.

Nessa operação destacou-se vasto movimento de deslegitimação científica e acadêmica de O escravismo colonial, inicialmente em forma indireta e transversal, mais tarde em forma direta e frontal, que se mobilizou para soldar a fratura causada pela aparição de obra que colocava o trabalhador e a luta de classe no centro da interpretação da formação social brasileira.

A campanha processou-se sobre tudo através de dois movimentos. Enquanto procurava-se sistematicamente argumentação que questionasse, nem que fosse no mundo das aparências, elementos essenciais daquela interpretação, esforçava-se para manter à margem do mundo acadêmico os defensores do novo revisionismo historiográficos.

Portanto, constituía tentativa de organização da polêmica entre interpretações que utilizavam “conceito teórico marxista axial” em forma, no “geral, discordante”, apesar de “substanciais aproximações” em alguns casos. Pretendia-se que se desse no “universo conceitual” do “modo de produção” e “formação social”, correlacionado com “suas categorias básicas […], relações de produção, forças produtivas, classes sociais, luta de classes, consciência de classe, etc.”

Embora silenciada e, pelos moldes atuais da produção historiográfica, condenada a um relativo ostracismo – como, aliás, o próprio autor o foi – Para mim obra de Gorender compreende um marco na literatura historiográfica e sociológica brasileira. Atesta a liberdade de pensamento, seja na perspectiva política ou metodológica. Gorender renovou o marxismo brasileiro, dando-lhe maior vigor teórico, inserindo novas categorias de análise e mesmo modos de produção. Ao se inserir no debate sobre o Brasil Colonial, Gorender não se limitou a aderir a uma ou outra das correntes propostas, revolucionou, como afirma Maestri (2004a), o que todo intelectual comprometido com a história o faz.

[1] Dionatan da Silva, Licenciado em Letras pela Universidade de Passo Fundo, Especialista em Metodologia para o Enfrentamento a Violência Contra a Criança e o Adolescente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, Discente do curso de Especiliazação em Direitos Humanos pelo IFIBE


[2] Mario Maestri professor do Programa de Pós-Graduação em História. Universidade de Passo Fundo.

 

Anúncios

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s