GÊNERO: UMA CATEGORIA ÚTIL PARA A ANÁLISE HISTÓRICA

Dionatan da Silva[1]

(…) é precisamente onde os problemas são mais intratáveis e menos passíveis de resolução que a política mais importa.

Joan Scott

 

 

Neste breve artigo, buscarei abordar algumas questões sobre “Como a categoria gênero pode ser útil para compreender as relações étnico-raciais, tomando como referência o texto de Joan Scott: uma categoria útil de análise histórica.

Palavras-chave: gênero; relações étnico – raciais

O texto escrito por Joan Scott se tornou referencia para entender o modo como a categoria gênero contribuiu para que setores da área de Ciências Humanas e dos Direitos Humanos reconhecessem a importância das relações sociais que se estabelecem com base nas diferenças principalmente entre o masculino e o feminino.

Já no próprio título da autora podemos observar o enunciado “anunciando” que o termo gênero é descrito como um operador teórico e metodológico para a análise histórica.

Alem disso percebemos que as tradutoras do texto iniciaram colocando o significado do verbete “gênero”

                                                                                                                               Gênero, Gram. Categoria que indica por meio de desinência uma divisão dos nomes baseada em critérios tais como sexo e associações psicológicas. Há gêneros masculino, feminino e neutro.

(Novo Dicionário da Língua Portuguesa (Aurélio B. de Hollanda Ferreira).  

O escrito dessa autora permite elucidar varias visões sobre mulheres, meninas, homens e meninos representam travas para a superação dessa situação. Ao considerar as relações de gênero como socialmente constituídas, nota-se que uma série de características podem ser consideradas femininas ou masculinas correspondendo às relações de soberania entre as partes.

Na abordagem do presente texto, sexo e gênero não são sinônimos, e sim antônimos embora muitas vezes se relacionasse. Devemos considerar que muitas relações de gênero não existissem do modo como são conhecidas, o que se percebe como sexo não seria valorizado como importante. Não fossem os arranjos de gênero vigentes socialmente, as diferenças percebidas como anatômicas entre homens e mulheres não teriam nenhuma significação valorativa em si mesmo. Ou seja, a parte intima tanto masculina (pênis) e feminina (vagina) poderiam ser apenas uma diferença física entre outras.

Na gramática, gênero é compreendido como um meio de classificar fenômenos, um sistema de distinções socialmente acordado mais do que uma descrição objetiva de traços inerentes. Além disso, as classificações sugerem uma relação entre categorias que permite distinções ou agrupamentos separados

O gênero ― como um conjunto de símbolos e significados sobre o masculino e sobre o feminino ― cria determinadas percepções sobre o sexo,

Ademais, e talvez o mais importante, o “gênero” era um termo proposto por aquelas que defendiam que a pesquisa sobre mulheres transformaria fundamentalmente os paradigmas no seio de cada disciplina.

Podemos observar que as relações de gênero correspondem ao conjunto de representações construída em cada sociedade, através de sua história, para atribuir significados, distinções e oposições para cada um dos sexos. As características conhecidas como biológicas entre homens e mulheres são interpretadas segundo as construções de gênero de cada sociedade. Ou, em outras palavras, o gênero faz com que percebamos o sexo, pois as características e diferenças anatômicas são enxergadas e valorizadas do modo como são, e não de outro(s) modo(s), graças à existência das relações de gênero socialmente construídas.

A ladainha “classe, raça e gênero” sugere uma paridade entre os três termos que, não existe. Enquanto a categoria de “classe” está baseada na complexa teoria de Marx (e seus desenvolvimentos posteriores) sobre a determinação econômica e a mudança histórica, as categorias de “raça” e “gênero” não veiculam tais associações.

Assim como gênero, raça é um produto que inaugura a percepção de determinadas características em detrimento de outras, incluindo as consideradas biológicas e físicas. O que é considerado como natureza se mostra como mais um dado passível de interpretação. Os processos de diferenciação revelam-se produtores de exclusões. Desta maneira, as desigualdades são construídas a partir das diferenças percebidas segundo relações raciais, nas quais são atribuídos lugares e valores hierarquizados para negros e brancos.

O termo raça pode se mostrar por vezes um conceito cientificamente inoperante e assumir a sua existência pode remontar a cilada do racismo biológico. Por outro lado, seu uso pode conduzir à reflexão sobre os lugares ocupados por negros e por brancos, assim como pode incentivar a discussão sobre o status da Cultura Negra nas Ciências Sociais e, por conseguinte, nas Políticas Igualitárias.

A autora Joan Scott denomina diferença dentro da diferença? Nesta perspectiva, os estudos das diferenças étnicas se articulam os estudos sobre as diferenças de gênero.

Assumindo esta perspectiva o uso da categoria gênero pode ser visto como um olhar entre vários olhares, para se explicar a sociedade em que vivemos. Joan Scott (1990, p.15) explica que gênero é um elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos. O gênero é um primeiro modo de dar significado às relações de poder. Então, é na problematização do sexo que começam os problemas relativos a esta temática, pois o gênero se constrói na relação com a diferença; e esta não necessariamente deverá ser biológica.

 

BIBLIOGRAFIA

 

_____________.  Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, Porto

Alegre, Rio Grande do Sul, n.º 16, p. 5-22, 1990.


[1] Dionatan da Silva, Formado em Letras – Licenciatura Plena, Especialista em Metodologia para o Enfrentamento a Violência Contra a Criança e o Adolescente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, Discente do curso de Especiliazação em Direitos Humanos – IFIBE

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