Crítica | Kong: A Ilha da Caveira

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Titulo Original: (Kong: Skull Island)

Titulo no Brasil: Kong: A Ilha da Caveira

Direção: Jordan Vogt-Roberts

Roteiro: Derek Connolly , Max Borenstein

Elenco: Toby Kebbell , Brie Larson , Corey Hawkins , Tom Hiddleston , Samuel L. Jackson , John C. Reilly , Tom Wilkinson

 

Kong: A Ilha da Caveira começa com uma cena aonde a paz de uma praia paradisíaca no Pacífico Sul sendo quebrada com a queda de dois aviões da Segunda Guerra: de um piloto aliado e de um japonês (kaiju). Se o espaço já tem cores chamativas que lembram os desenhos animados, o duelo que se encena em seguida reforça essa noção, porque os dois personagens – um americano fotogênico de olhos azuis e um japonês enlouquecido com sua espada – estão mais próximos dos cartuns do que se esperaria de um filme de guerra.

Essa cena é certeira como síntese e dá o tom de todo o King Kong que Vogt-Roberts se propõe fazer: menos uma obra de reverência à franquia (o que já o distancia do Kong de Peter Jackson) e mais uma obra que reverencia todo o pop, seus potenciais e suas vocações. Produto de uma geração que aprendeu a crescer sem abrir mão de gostos da infância, o diretor se revela em A Ilha da Caveira uma versão light de Zack Snyder. Mistura e estetiza games, quadrinhos e temas orientais com a cinefilia obrigatória pós-Nova Hollywood, de Spielberg a Coppola. O resultado é um filme que fetichiza o imaginário de seu tempo mas não com a mesma carga erótica de Snyder, e sim com uma pulsão pelo colecionismo.

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Os personagens de Kong: A Ilha da Caveira são, a exemplo dos dois combatentes daquela primeira cena, pouco mais do que arquétipos cartunescos do filme de aventura: o galã meio Indiana Jones vivido por Tom Hiddleston que depois de muito tempo ganhou o seu filme solo saindo do personagem luke de thor, a fotógrafa sensível (Brie Larson), o militar enlouquecido pela guerra (Samuel L. Jackson), os cientistas de óculos e caderninho, o pelotão formado por buchas-de-canhão. De alguns desses personagens não esperamos, mesmo, que sejam nada além do arquétipo, e no fim os militares. Já os dois protagonistas, que deveriam transcender e consumar jornadas, ou pelo menos servir melhor de intérpretes no vínculo que estabelecem com o espectador, ficam devendo: Hiddleston e Larson, subdesenvolvidos desde o começo do filme.

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Vogt-Roberts logo demonstra que sua especialidade aqui não é a dramaturgia, quando Kong começa a patinar lá pela metade, em meio a várias cenas-montagens com canções pop que aceleram a narrativa, mas não a aprofundam. Em termos de aproveitamento rápido de set pieces bem pensados, porém, ele se esmera. Assim como o boneco bobble head de Richard Nixon que surge em cena para sublinhar um eventual caráter político do filme, tudo em Kong  se torna objeto prontamente descartável. E como Vogt-Roberts queima munição com gosto: os primeiros 40 ou 50 minutos são incríveis, até o desfecho da entrada dos helicópteros na ilha, uma festa caótica de montagem clipada, com mudanças de pontos de vista de câmera e soluções visuais frequentemente baseadas no calor das cores.

Como a premissa se presta ao consumo rápido e à descartabilidade (dos muitos gêneros com que o filme flerta o principal é o da aventura de travessia, organizada sempre de desafio em desafio, como fases de um game) e o roteiro se estrutura de forma a permitir a narrativa ágil (ora seguimos os mocinhos, ora os “malvados”, intercalados), os defeitos de Kong não terminam minando tanto esse prazer e a visível facilidade com que o filme se filia ao pop e lhe presta tributo, tratando a violência de forma caricata com um humor que tornou-se raro nos marrentos blockbusters americanos.

E o King Kong? Bem, criado com esmero pela equipe de efeitos visuais, com ajuda do ator Toby Kebbell em close-ups que exigiam uma captura de movimento facial mais pontual, o belo gorila é a imagem que perdura, em meio a tanta combustão instantânea. De resto, é um filme sobre filmes, sobre acúmulos de referências, transpiradas com urgência.

O filme tem os seus pecados capitais quando Kong  esta num lago aparentemente raso e do nada aparece um polvo gigante que não sabem da aonde surgiu e ate mesmo a heroína tentar levantar um helicóptero. Kong: A Ilha da Caveira é uma boa diversão mesmo com alguns defeitos de direção e um roteiro inexistente. É um filme que assume o que quer no primeiro minuto: uma aventura com monstros.

Nota 6.8

Crítica | Vida (2017): sobrevivendo ao encontro

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Original: Life

Titulo no Brasil: Vida

Direção: Daniel Espinosa

Elenco: Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson

Gêneros Ficção científica, Suspense

Nacionalidade EUA

             O filme “Vida”, (2017) trás uma trama interessante e até mesmo cômica, muitas vezes lembrando velhos clássicos do cinema cientifico como como “Alien – O Oitavo Passageiro” de 1979 e a  “A Bolha Assassina”  neste caso me lembrou da bolha quando Calvin de certa forma engole o ratinho, mas vamos lá: tudo começa em uma estação espacial internacional onde seis astronautas recebem uma cápsula, vinda de Marte, contendo uma carga extremamente especial: uma célula viva (“Existe vida fora da Terra?“) que comprova a existência de vida extraterrestre. Recebida com alegria e até batizada por crianças da Terra com o simpático nome de Calvin, a forma de vida evolui rapidamente aparentemente um protozoário. Após um acidente com a caixa de contenção, a criatura se vira contra os humanos e, a partir daí, começa um jogo de gato e rato pela sobrevivência… de ambos.

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Apesar da familiaridade da trama, a forma como o roteiro trata a questão de que a criatura quer sobreviver, tanto quanto a tripulação, humaniza a história e a enriquece. Por outro lado, é bastante falha a tentativa de fabricar uma conexão do expectador com os personagens. Cenas gratuitas de nascimentos, livros infantis e até a deficiência física de um deles, soam absolutamente forçadas e fora de contexto. Em um momento de extremo suspense, por exemplo, com a criatura rondando o ambiente em que os astronautas estão confinados, o filme praticamente pausa para contar uma história desinteressante sobre o background de um dos coadjuvantes.

O filme de Daniel Espinosa (“Crimes Ocultos”) ganha bastante agilidade nos momentos de ação e apreensão. O design da criatura, bastante escondida na promoção do filme, desaponta pela pouca criatividade. Porém, a maneira como o alienígena se desloca e principalmente como ele ataca suas vítimas, fazendo referências claríssimas a outra obra As atuações, apesar do bom elenco, se apresentam corretas, porém contidas. Nem mesmo o expansivo  Ryan Reynolds (“Deadpool”), se faz lembrar na produção. Com nomes fortes, como o do ótimo Jake Gyllenhaal (“Animais Noturnos”), Rebecca Ferguson (“A Garota no Trem”) e Hiroyuki Sanada (“Wolverine: Imortal”), esperava-se mais personalidade e carisma dos protagonistas, sendo a natureza e a índole da criatura muito mais atraente que a de todos os outros personagens juntos.

“Vida” é uma colcha de retalhos de referências a outros filmes de terror espaciais que tanto amamos, mas também é repleto de defeitos constantes que orbitam a maioria dessa referências. Apesar do roteiro trivial e atuações acanhadas.

Nota 7,0

 

 

Crítica | Rogue One: Uma História Star Wars 

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Rogue One: Uma História Star Wars

Direção: Gareth Edwards (II)

Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy

Elenco: Felicity Jones, Diego Luna, Ben Mendelsohn

 

Rogue One: Uma História Star Wars é um filme que consegue trazer ideias novas para revigorar a franquia e que se arrisca em alguns momentos, ao dar novas nuances para as batalhas entre Aliança e Império, mas sem jamais esquecer suas origens. Ele é realmente uma história que faz parte do universo Star Wars, sem se contentar em seguir apenas uma receita de bolo.

Rogue One tinha uma enorme responsabilidade e pressão sobre si: a de ser o primeiro derivado de uma franquia aclamada como Star Wars. O que vemos é um longa coeso, tecnicamente impecável, bem estruturado, com atos bem definidos, e que leva Star Wars para um novo caminho, nunca antes trilhado, que mostra como as possibilidades podem ser infinitas nessa galáxia muito, mas muito distante.

A trama é o que já se esperava, e segue o gancho deixado pelo próprio George Lucas em 1977, no primeiro Star Wars, quando o hoje clássico texto introdutório do filme revelava que a Aliança Rebelde havia tido sua primeira vitória na luta contra o Império Galático, com uma célula rebelde que conseguiu roubar os planos da Estrela da Morte, a super arma imperial. O que Rogue One faz é simplesmente contar essa história, trazendo o grupo de rebeldes que conseguiu executar essa missão, como ela foi executada, e os sacrifícios que precisaram ser feitos para que esses planos chegassem nas mãos da princesa Leia Organa, dando início aos eventos que vimos nos minutos iniciais de Uma Nova Esperança. Voltando bastante no tempo, somos apresentados a Galen Erso (Mads Mikkelsen), um ex-engenheiro imperial que vive com sua esposa e filha em um remoto planeta como fazendeiro, até que recebe a visita de Krennic (Ben Mendelsohn), diretor imperial do projeto da Estrela da Morte, que precisa de Erso para dar continuidade ao projeto, por mais que o engenheiro não queira ir.

O prelúdio é curto, e serve apenas para introduzir a difícil infância da filha de Galen, Jyn Erso (Felicity Jones), que acaba sendo criada por Saw Gerrera (Forest Whitaker), um rebelde tão extremista, que seus atos não são bem vistos nem mesmo pela própria Aliança Rebelde, e que acaba agindo separadamente, com uma célula terrorista alocada no planeta Jheda.

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Forte, destemida e corajosa, Jyn acaba se envolvendo com a Aliança Rebelde em uma missão que envolve uma mensagem enviada por seu pai, que é quando descobrem a falha proposital deixada por Galen no projeto da Estrela da Morte, e que serve de mote para o filme, trazendo a tão esperada busca pelos planos da arma, capaz de destruir um planeta com seu poder de fogo.

Mas tudo no filme é perfeito? Diria que não. Apesar de tecnicamente impecável, ele acaba se prejudicando em alguns momentos, e por alguns motivos. Talvez por isso, parte do terceiro ato tenha resolvido apelar para a nostalgia (o que era inevitável), e com isso, consequentemente acaba sendo o melhor ato do filme. A Batalha de Scarif é de tirar o fôlego, sendo talvez uma das melhores de Star Wars, e que acaba trazendo alguns dos momentos mais icônicos de toda a franquia. É uma sequência ousada, bastante corajosa para um filme de Star Wars, e que não deve em nada para qualquer filme de guerra.

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De forma geral, Rogue One  cumpre o seu papel de forma primorosa. Ele não apenas conta a sua história de uma forma coesa, amarrando pontas soltas e se conectando de uma forma majestosa.

Nota 7,8

Crítica | John Wick: Um Novo Dia Para Matar

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Original: John Wick: Chapter Two

Titulo no Brasil: John Wick: Um Novo Dia Para Matar

Direção: Chad Stahelski

Roteiro: Derek Kolstad
Elenco: Keanu Reeves, Riccardo Scamarcio, Ian McShane, Ruby Rose, Common, Claudia Gerini, Lance Reddick, Laurence Fishburne, Tobias Segal, John Leguizamo
Duração: 122 min.

Os últimos anos não foram muito bons para o cinema de ação, lembro-me que  muitos anos atrás o cinema trazia filmes de ação de tirar o folego dos expectadores, mas faz muito tempo que isso não acontecia. Felizmente, uma vez ou outra somos positivamente surpreendidos e esse é o caso de John Wick: Um Novo Dia Para Matar, que apenas melhora a fórmula de seu antecessor.

Retornam Chad Stahelski e Derek Kolstad, que assinam, respectivamente, a direção e o roteiro da obra, em uma trama que sabe expandir a mitologia criada em De Volta ao Jogo. A projeção tem início com um prólogo que funciona, também, como epílogo do filme anterior. John Wick (Keanu Reeves) vai atrás de seu carro roubado e, no processo, acaba com todos os capangas do tio do rapaz nada sensato que ousara roubar do bicho-papão. Mal sabia ele, contudo, que sua aposentadoria seria novamente revogada graças a uma missão que fora forçado a executar por Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio), que fora até a casa do ex-assassino profissional para cobrar uma promessa.

Durante os primeiros minutos do filme, realmente acreditamos que ele não será mais nada mais que uma repetição do anterior. Ainda que todo o trecho de abertura já demonstre o que diferencia John Wick dos outros filmes de ação da atualidade, o puro copiar e colar” dificilmente é bem vindo. Felizmente, o roteiro de Kolstad mostra ao que veio logo cedo, utiliza a forçada saída da aposentadoria de Wick apenas como estopim para todos os eventos seguintes. Enquanto De Volta ao Jogo fora uma obra de vingança, sua continuação vai, além disso, se transforma em uma frenética luta por sobrevivência.

Essa luta permanece como uma noção constante para nós, espectadores. Logo nos primeiros minutos já vemos o protagonista sendo golpeado, atropelado, jogado de um lado para o outro, esfaqueado, dentre outras coisas. Wick não conta com aquela invulnerabilidade ele realmente se machuca. O que torna o personagem quase imortal é o simples fato dele ser o melhor no que faz, algo construído desde o primeiro filme através não só do que vemos em tela, como das histórias contadas por outros sobre ele, como matar dois sujeitos usando apenas um lápis (coisa que acontece no filme, após tr a sua cabeça a prêmio). Aqui entramos em outro diferencial de Um Novo Dia Para Matar: ao contrário da grande maioria dos filmes de ação, que apenas jogam balas para cá, tiros para lá e explosões a torto e direita, a obra diferencia cada sequência uma da outra, cada “porradaria”, tiroteio e morte é única, tornando a violência um verdadeiro espetáculo, no qual nos pegamos realmente torcendo para que o protagonista saia por cima.

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Mas não é só de ação pura que o filme é formado. Temos aqui um nítido aprofundamento da mitologia introduzida no seu antecessor, explorando mais essa sociedade de assassinos profissionais e essa realidade aonde existe alfaiates para o terno (eu gostaria de um terno desses) um  verdadeiro mundo jonh wick  . O mais interessante é como cada um dos personagens trata as diferentes questões desse universo ficcional como se fossem a coisa mais normal do mundo, o que apenas torna o personagem de John Wick mais interessante. Podemos contar nos dedos quantas falas Reeves tem no filme, mas o que nos chama a atenção de imediato é o quanto seu personagem soa desconfortável em ter de voltar para aquela vida. Com tantos acertos, fica difícil não gostar de John Wick: Um Novo Dia Para Matar. Temos aqui um filme que nada na corrente contrária à grande maioria dos outros exemplares mais recentes do gênero.

Ainda o filme traz pela primeira vez que Laurence Fishburne e Keanu Reeves trabalham juntos depois da trilogia de Matrix.

Nota: 8,0

Crítica | Celular

 

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Original:Cell

Titulo no Brasil: Celular
Ano:2016•País:EUA
Direção:Tod Williams
Roteiro:Stephen King, Adam Alleca
Produção:Brian Witten, Richard Saperstein, Shara Kay, Michael Benaroya
Elenco:John Cusack, Samuel L. Jackson, Isabelle Fuhrman, Owen Teague, Clark Sarullo, Anthony Reynolds, Erin Elizabeth Burns, Stacy Keach

 

A trama conta a história de dois homens que sobrevivem a um ataque causado pelas ondas dos telefones celulares. Basicamente toda pessoa em posse de um celular se transforma num monstro irracional sedento por sangue. Clay (Cusack) fica desesperado porque sabe que sua família pode ter sido vítima do ataque e inicia a sua jornada para tentar resgatá-lo.

Stephen King escreveu Celular nos anos 2000 e apresentou ao mundo sua visão dos mortos vivos imortalizados no cinema através da crítica ácida de George Romero.

A adaptação de Celular  deixa muito a desejar em relação ao original, decepciona os espectadores mais exigentes Os Atores de peso John Cusack quanto Samuel L. Jackson atuam no piloto automático sem apresentar nada de novo para seus personagens ou para chamarem a atenção.

Os “zumbis” realmente se parecem bastante com os infectados de Extermínio. Ambos possuem muita agilidade e parecem babar de raiva. Talvez esse seja um dos grandes detalhes positivos da adaptação, que não fracassa apenas no seu núcleo principal do elenco, mas no ritmo. Celular não parece evoluir para cativar o público.

Como se trata de uma obra baseada em Stephen King, essa tal surpresa reside no “vilão”, que é supostamente uma criação do personagem de Cusack, um ilustrador que acabou de assinar contrato para produzir sua obra e ficar rico. Isso mexe com a interpretação do espectador, que pode criar diversas teorias de que tudo não passou de uma história criada pela mente fértil de Clay.

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Não dá para aceitar um filme medíocre apelando para um final clichê e sem inspiração. No caso de Celular, a sequência final chega a ser patética e arruina tudo que assistimos antes com toda a paciência do mundo.

Celular é um filme de zumbis diferente, mas longe de ser obrigatório na lista dos apaixonados pelo tema mais uma adpataçao fracassada de Stephen King

 

NOTA 4,5